Onda de assaltos no Jardim Itajaí, extremo sul de São Paulo, revolta
população. Os assaltantes agem pela manhã, à tarde e à noite. Os moradores saindo, chegando e durante o trabalho. Em frente de casa, na rua e no ponto de ônibus: "virou terra de ninguém, precisamos tomar alguma providência",
disse analista técnica, de 32 anos, em grupo do WhatsApp com nome "Atenção Itajaí", criado para moradores
avisarem sempre que houver novos ataques.
O bairro localizado no distrito do Grajaú - pior para viver em São Paulo, conforme estudo da Rede Nossa São Paulo - há anos sofre com casos isolados de furtos e roubos. Entretanto, nos últimos três meses essa ação na região tornou frequente. Pelo menos 74 pessoas foram atingidas, sendo mais de 50 nos últimos 50 dias. O primeiro da série de assaltos foi no dia 26 de julho, aproximadamente 16h30, na rua das Linfas, no bar do Seu Arceu - pequeno comércio que funciona no bairro há 32 anos. Segundo informações, na ocasião, um Fiat Uno, identificado com logotipos da Vivo, parou em frente ao bar, que no momento estava com duas crianças, uma adolescente e o senhor de 81 anos, dono do estabelecimento. Três homens brancos, altos, com rostos descobertos, desceram armados do veículo e abordaram a adolescente, que estava com dois celulares na mão (um seu e outro de sua prima). Depois de tomarem os telefones, os assaltantes tentaram render o idoso, dono do bar, e levar a televisão do comércio. Contudo, a tentativa foi frustrada e os assaltantes foram embora levando os dois aparelhos celulares.
A comunidade "Atenção Itajaí" foi criada um mês depois do primeiro caso. Neste prazo do assalto ao bar do Seu Arceu e a criação do grupo, mais alguns assaltos foram relatados. Os alvos eram as mulheres que iam trabalhar de madrugada. Enquanto esperavam ônibus, homens de moto paravam armados, desciam com capacetes, e levavam celulares e bilhetes do transporte. "Agora, a gente se esconde nas casas e atrás dos carros, quando escuta o barulho do ônibus subindo sai todo mundo correndo para o ponto", explicou uma das mulheres assaltadas neste período. Com medo, ela não quis se identificar. Nem registrou Boletim de Ocorrência.
O estopim para a criação do grupo foi um assalto no dia 24 de julho. Era aproximadamente 19h quando um homem e uma mulher chegaram, usando capuz da blusa e boné para esconder o rosto, em salão de cabeleireiro da rua Coronel João Cabanas. A mulher pediu para abrir a porta do salão, perguntando valor de um serviço. Enquanto o homem, atento, anunciou o assalto assim que abriu a porta. "Mandou eu dar o celular e ir lá para trás com as duas crianças", lembrou funcionária do salão. O assaltante, armado, pegou bolsas e celulares das cinco clientes e da proprietária do estabelecimento. Enquanto a mulher roubou secador e chapinha.
| Mapa do Jardim Itajaí (Foto: Google Maps) |
O estopim para a criação do grupo foi um assalto no dia 24 de julho. Era aproximadamente 19h quando um homem e uma mulher chegaram, usando capuz da blusa e boné para esconder o rosto, em salão de cabeleireiro da rua Coronel João Cabanas. A mulher pediu para abrir a porta do salão, perguntando valor de um serviço. Enquanto o homem, atento, anunciou o assalto assim que abriu a porta. "Mandou eu dar o celular e ir lá para trás com as duas crianças", lembrou funcionária do salão. O assaltante, armado, pegou bolsas e celulares das cinco clientes e da proprietária do estabelecimento. Enquanto a mulher roubou secador e chapinha.
| Ponto de ônibus onde dezenas de mulheres foram assaltadas (Foto: Google Maps) |
Sem segurança pública, no início da madrugada os pequenos comércios do Jardim Itajaí ficam ainda mais vulneráveis. Assim, surge a grande oportunidade para assaltantes agirem. E foi neste contexto que o depósito de materiais de construção Barracão, situado na rua Coronel João Cabanas, foi invadido, no dia 08 de agosto. A sócio-proprietária do depósito, 29 anos, que ficou com medo de se identificar, informou que os assaltantes levaram dois chuveiros, uma caixa de silicone e R$ 300,00.
"Mesmo com toda essa insegurança e descaso com o bairro, o que mais me revolta é a covardia que têm para assaltar até crianças". Esta é a lamentação de uma moradora do bairro ao falar do caso que aconteceu há um mês, em que dois homens, de moto, assaltaram dez crianças que estavam esperando ônibus escolar, por volta das 6h da manhã. Na ocasião, os criminosos, armados, levaram celulares e dinheiro de lanches dos estudantes.
Os comércios assaltados ainda sofrem reincidência. Exemplo disso, bar da Fabinha, na rua Manoel Vergueiro, foi assaltado duas vezes em um mês. Na primeira, dois homens armados chegaram de moto, com capacete, e renderam oito pessoas que estavam no local. Após revistar os cinco homens e três mulheres, levaram o dinheiro do caixa e celulares dos clientes. A segunda vez, no dia 10 de setembro, quase o mesmo enredo. Dois homens, de moto, armados e com capacete entraram no bar, que tinha cinco mulheres e quatro homens. Os assaltantes revistaram os homens e pouparam as mulheres dessa etapa. Entretanto, não deixaram de levar seus celulares. Os homens ainda pegaram dinheiro que tinha no caixa, que segundo a proprietária do bar, era pouco pois ela havia acabado de pagar algumas contas. "Das duas vezes eram as mesmas armas, fizeram quase do mesmo jeito, mas não eram as mesma pessoas. Devem ser da mesma quadrilha", explicou a dona do bar. Testemunhas, que estavam nos dois assaltos, afirmam que nos dois casos os homens estavam com uma pistola cromada calibre 38 e revólver calibre 32.
"Mesmo com toda essa insegurança e descaso com o bairro, o que mais me revolta é a covardia que têm para assaltar até crianças". Esta é a lamentação de uma moradora do bairro ao falar do caso que aconteceu há um mês, em que dois homens, de moto, assaltaram dez crianças que estavam esperando ônibus escolar, por volta das 6h da manhã. Na ocasião, os criminosos, armados, levaram celulares e dinheiro de lanches dos estudantes.
| Bar da Rua Manoel Vergueiro foi assaltado duas vezes em um mês (Foto: Google Maps) |
Pesquisada no Sinesp (Sistema Nacional de Informação de Segurança Pública), a placa indicada por testemunhas da moto utilizada no assalto encontra-se em situação legal, e é de uma Honda CG 125/Titan, cor cinza. Entretanto, nas informações, o veículo utilizado no assalto era vermelho.
"O meu filho sai de
madrugada para trabalhar e chega tarde todos os dias e, de verdade, não sei se
tenho mais medo dos bandidos ou da polícia matá-lo numa esquina qualquer". Esta frase foi um desabafo de
uma assistente administrativa, de 43 anos, moradora do bairro há 38 anos. O
filho dela, de 27 anos, perdeu tênis e celular para assaltantes, às 4h30 da
manhã, enquanto esperava ônibus para ir trabalhar.
Procurado pela reportagem, a Secretaria de Segurança Pública disse que não é possível fornecer os dados específicos do bairro, mas estão tomando todas as medidas de segurança cabíveis. A secretaria não se posicionou acerca do crescimento de roubos e furtos na região.
Adorno acredita que o crescimento dos assaltos no Jardim Itajaí faz parte de um novo grupo de pequenos criminosos que está surgindo por toda cidade. Para o jornalista, isso ocorre graças a falta de preocupação do governo com a juventude, deixando de investir na cultura e educação das periferias. "O moleque que levaria duas horas para ir ao centro trabalhar e mais duas horas pra voltar e, no final do mês, receberia um salário mínimo vê no crime uma chance mais fácil de conseguir mais dinheiro e de forma mais rápida". E concluiu dizendo que "se o moleque tivesse como ganhar um salário digno, com uma moradia digna, uma alimentação digna e uma cultura acessível, ele não iria querer correr o risco de acabar morto ou numa cadeia."



Moro no bairro, por muito tempo não havia problemas até a morte do antigo traficante, que impunha respeito no bairro. Muitos dos problemas de assaltos no bairro começaram a acontecer após as invasões da região. Lamentável.
ResponderExcluirLamentável mesmo acontecer essas coisas!
ExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
Excluir